Segundo as Escrituras Sagradas os dois Testamentos, que ela compõem, estão em um constante fluxo e refluxo de interpretação, ou seja, tanto o V.T. deve ser interpretado à luz do N.T. como o N.T. à luz do V.T.
Neste movimento interpretativo temos a relação entre sombra e realidade, antítipo e tipo, profecia verbalizada e profecia cumprida (Cl 2:16,17; Hb 10:1 / Hb 7:1-3; Jo 1:29; At 2:29-36; Mt 1:1-16).
Diante deste fato, necessário se faz que entendamos alguns aspectos da revelação bíblia no Velho Testamento:
a) Ela não é exaustiva, ou seja, não trata sobre todos os assuntos e de uma forma completa. Exemplo disto é a doutrina da expiação e interceção limitada de Cristo (Ex 39:6-14 - Lv 16:20,21).
b) Ela é progressiva (Ex. O plano da salvação, a Trindade, escatologia, etc)
c) Ela é, em muitos fatos e aspectos, uma sombra (Cl 2:16,17; Hb 10:1), e, como sombra, devem ser consideradas algumas verdades:
c.1 Uma sombra é incompleta: a circuncisão era menos abrangente quando comparada ao batismo, pois aquela era ministrada tão somente aos descendestes do sexo masculino (Gn 17:10), já este tanto aos homens como às mulheres (At 16:14,15).
c.2 Uma sombra é transitória: em sua própria essência, toda sombra se esvai quando vem plena luz e quando a realidade que representa se aproxima mais e mais, até assumir completamente o seu lugar (Dn 9:26,27; Hb 9:1, 10, 11); ou seja, apresença da realidade exclui necessariamente a sombra.
c.3 Não é o retrato real do que representa: embora se assemelhe a realidade, a sombra nada mais é do que um contorno daquilo que representa (Hb 10:1). Exemplo disto temos a cerimônia da unção naqual o óleo representava a presença do Espírito Santo na vida daquele que era ungido.
c.4 Apresenta parcialmente a realidade: as várias cerimônias existentes na lei mosaica nos demonstram que o ministério de Cristo, em sua totalidade, não poderia ser representado por apenas um só ato cerimonial ou litúrgico (Cl 2:16,17; Lv 16:5-10)
c.5 Aponta para uma realidade: os rituais do V.T. não foram dados por Deus em função de si mesmos (I Co 7:19), mas para comunicar ao seu povo realidades futuras que certamente já existiam e que estavam “prestes” a se manifestarem (Cl 2:16,17). A sombra era, portanto, a testemunha daquilo que certamente Deus faria.
d) Ela é profética, no sentido
| Profecia | Onde | Cumprimento |
| Como Filho de Deus | Sl 2.7 | Lc 1.32,35 |
| Como descendente de mulher | Gn 3.15 | Gl 4.4 |
| Como descendente de Abraão | Gn 17.7; 22.18 | Gl 3.16 |
| Como descendente de Isaque | Gn 21.12 | Hb 11.17-19 |
| Como descendente de Davi | Sl 132.11; Jr 23.5 | At 13.23; Rm 1.3 |
| Sua vinda em tempo certo | Gn 49.10; Dn 9.23,25 | Lc 2.1 |
| Seu nascer de uma virgem | Is 7.14 | Mt 1.18; Lc 2.7 |
| Ser chamado Emanuel | Is 7.14 | Mt 1.22,23 |
| Nascer em Belém | Mq 5.2 | Mt 2.1; Lc 2.4-6 |
| Grandes viriam adorá-lo | Sl 72.10 | Mt 2.1-11 |
| Matança dos meninos de Belém | Jr 31.15 | Lc 2.16-18 |
| Ter chamado do Egito | Os 11.1 | Mt 2.15 |
| Ser precedido por João | Is 40.3; Ml 3.1 | Mt 3.1-3; Lc 1.17 |
| Sua unção com o Espírito | Sl 45.7; Is 11.2, 61.1 | Mt 3.16; Jo 3.34; At 10.38 |
| Ser profeta semelhante a Moisés | Dt 18.15-18 | At 3.20-22 |
| Ser sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque | Sl 110.4 | Hb 5.5,6 |
| Sua entrada no ministério publico | Is 61.1,2 | Lc 4.16-21, 43 |
| Se ministério iniciado na galiléia | Is 9.1,2 | Mt 4.12-16, 23 |
| Sua entrada publica em Jerusalém | Zc 9.9 | Mt 21.1-5 |
| Sua vinda ao templo | Ag 2.7,9; Ml 3.1 | Mt 21.12; Lc 2.27-32; Jo 2.13-16 |
| Sua pobreza | Is 53.2 | Mc 6.3; Lc 9.58 |
| Sua humildade e falta de ostentação | Is 42.2 | Mt 12.15,16,19 |
| Sua ternura e compaixão | Is 40.11; 42.3 | Mt 12.15, 20; Hb 4.15 |
| Sua ausência de engano | Is 53.9 | 1Pe 2.22 |
| Seu zelo | Sl 69.9 | Jo 2.17 |
| Sua pregação por parábola | Sl 78.2 | Mt 13.34,35 |
| Seus milagres | Is 35.5,6 | Mt 11.4-6; Jo 11.47 |
| Ter sido injuriado | Sl 22.6; 69.7,9,20 | Rm 15.3 |
| Ter sido rejeitado por seus irmãos | Sl 69.8; Is 63.3 | Jo 1.11; 7.3 |
| Ser uma pedra de escândalo aos judeus | Is 8.14 | Rm 9.32; 1Pe 2.8 |
| Ter sido odiado pelos judeus | Sl 69.4; Is 49.7 | Jo 15.24,25 |
| Ter sido rejeitado pelos lideres judeus | Sl 118.22 | Mt 21.42; Jo 7.48 |
| Os judeus e os gentios, contra Ele | Sl 2.1,2 | Lc 23.12; At 4.27 |
| Seria traído por um amigo | Sl 41.9; 55.12-14 | Jo 13.18-21 |
| Seus discípulos O abandonariam | Zc 13.7 | Mt 26.31-56 |
| Seria vendido por trinta moedas | Zc 11.12 | Mt 26.15 |
| Seu preço seria dado pelo campo do oleiro | Zc 11.13 | Mt 27.7 |
| A intensidade de seus sofrimentos | Sl 22.14,15 | Lc 22.42,44 |
| Seu sofrimento em lugar de outros | Is 53.4-6,12 | Mt 20.28 |
| Sua paciência e silencio sob os sofrimentos | Is 53.7 | Mt 26.63; 27 12-14 |
| Ser esbofeteado | Mq 5.1 | Mt 27.30 |
| Sua aparência maltratada | Is 52.14; 53.3 | Jo 19.5 |
| Terem-No cuspido e flagelado | Is 50.6 | Mt 14.65; Jo 19.1 |
| Cravação de seus pés e mãos à cruz | Sl 22.16 | Jo 19.18; 20.25 |
| Ter sido esquecido por Deus | Sl 22.1 | Mt 27.46 |
| Ter sido zombado | Sl 22.7,8 | Mt 27.39-44 |
| Mel e vinagre ser-Lhe-iam dados | Sl 69.21 | Mt 27.34 |
| Suas vestes seriam divididas e sortes lançadas | Sl 22.18 | Mt 27.35 |
| Seria contado com os transgressores | Is 53.12 | Mc 15.28 |
| Sua intercessão pelos Seus assassinos | Is 53.12 | Lc 23.34 |
| Sua morte | Is 53.12 | Mt 27.50 |
| Nenhum dos Seus ossos seria quebrado | Ex 12.46; Sl 34.20 | Jo 19.33,36 |
| Seria traspassado | Zc 12.10 | Jo 19.34,37 |
| Seria sepultado com o rico | Is 53.9 | Mt 27.57-60 |
| Não veria a corrupção | Sl 16.10 | At 2.31 |
| Sua ressurreição | Sl 16.10; Is 26.19 | Lc 2.6,31,34 |
| Sua ascensão | Sl 68.18 | Lc 24.51; At 1.9 |
| Seu assentar à direita de Deus | Sl 110.1 | Hb 1.3 |
| Seu exercer o oficio sacerdotal, no céu | Zc 6.13 | Rm 8.34 |
| Seria a pedra principal da igreja | Is 28.16 | 1Pe 2.6,7 |
| Seria Rei em Sião | Sl 2.6 | Lc 1.32; Jo 18.33-37 |
| Conversão dos gentios a Ele | Is 11.10; 42.1 | Mt 1.17-21; Jo 10.16; At 10.45-47 |
| Seu governo reto | Sl 45.6,7 | Jo 5.30; Ap 19.11 |
| Seu domínio universal | Sl 72.8; Dn 7.14 | Fp 2.9-11 |
| A perpetuidade de Seu reino | Is 9.7; Dn 7.14 | Lc 1.32,33 |
